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(a cidade, no caso)

Núpcias se atropelam no espelho da noite
onde incongruentes musas,
putas,
babacões vociferam escárnios em cruz
Eu deito uma tonelada de olhares
no presente pretérito do desejo –
há um gesto lacônico na rubra boca
do silêncio
– Ela ergue docas
Eu vejo uma lua sob a pele do agora
O instante Golpe!
O instante Golpe!
Há de haver pernas decompostas
na ferida saborosa na orgia leviana
que se arrasta suave e nefasta
feito a bota da serpente deglutindo ilusões perdidas
Pares povoam minha retina
de neblina de vulvas de bares
Eu escorro a manhã de nossas vidas nessas pernas ungidas de conhaque
Salve as caveiras dos antigos carnavais
Salve o fervor da inlucidez
Salve o corpo sobre a voz da fêmea em combustão
Eu tenho antenas febris instaladas no dorso da calma
Uma aranha escorre em minha boca
as cinzas de todos os verões
Eu diria por isso
a noite e seus infindos votos
Estrelas estreitam verdades marginais
Estou falando do agora
Estou falando do olho aberto e dos mundos plausíveis
no acesso do tempo;
eu quero que se foda essa metalinguagem toda,
a poesia é estarmos aqui!