clandestinos

nas negras luzes abertas da cidade
é que encontramos torpor
e alguma fuga
ainda que não haja escapatória
já que não sabemos carregar
a experiência calada do sim
e o não
em toda coisa
e no fundo
queremos mesmo
é não saber
o que nos fere o frêmito
doutras tantas
a lucidez do corpo nos bastaria
para a nossa necessidade de visualizar
o quadro inteiro
mesmo que nos digam do caos que é
pertencer a nós mesmos
e aos nossos verbos inutilizados
que são olhos de atravessar paredes
pontes
abismos
emaranhados por dentro
à beira
de qualquer margem

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