linguagem sobrecarregada de noites e clarões, essa

I

Um caranguejo tatuado nas costas da moça rubra quase inteira, vestida e transparente, mesclando lágrimas e risos diante de um Bosch [Consciência e inconsciência são miscíveis e ainda existem num estado profundo de interdependência recíproca]. Lua clara noite adentro. Hécate dançando sobre sonhos, fazendo chover fragmentos do ego nas estrelas. São feitos de suposições os sombrios ou iluminados esforços e impulsos interiores [As tendências estruturais invisíveis dos símbolos: arquétipos. Como as cartas do tarô]. Então é inerente a fantasia. Os sonhos reverberando desejos são experiências de conflito de um, de todos, de ninguém. Linguagem coletiva ilimitada de desmatrização dos recônditos arcanos da alma. Linguagem sobrecarregada de noites e clarões, essa [Os arcanos do tarô não são sobrenaturais ou mágicos, mas misteriosos, no sentido de que há infinitas interpretações para seus significados].

A moça ri e chora e tudo ao mesmo tempo porque a noite não acaba. Distrai-se inconscientemente – por isso a dificuldade de descortinar o mistério – até a despedida da luz e o novo reencontro com o seu intenso fulgor.

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