respira,

…….viúva negra

é um instante mudo
e pungente
o do poema
as linhas embebidas de espasmo
que desaguam em deleites inocentes
e sublimam em liberdade as suas chagas

o desejo que me cura
e me adoece
nada tem de pacífica virtude
antes abriga mil demônios sedutores
que envolvem e esmagam as suas presas
sob o refúgio peçonhento de suas asas

as palavras vêm sorvidas de veneno
as carícias abrem valas no seu corpo
e jorram sangue quando falta o que atormenta

a paz descansa lá no alto das montanhas
ao silêncio e solidão dos monastérios
o amor que convém aos mais mundanos
tão perdido em humanos adultérios
tem na busca a plena força dos seus gestos
persegue o fim que sempre quer
e nunca alcança

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