oblíqua

un bouquet, por giselli m.

Juro, qualquer dia como esse – azul de brigadeiro de um lado; suave e laranja-amarelo-gasto de outro, com as esculturas de algodão doce liquefazendo-se em crepuscular moldura à despedida do pôr do Sol -, lhe farei uma espera. E à tardinha me vestirei a rigor: a melhor renda, o melhor perfume, toda rímel e vaidosa, a bater os saltos no assoalho. Minha reserva – antes opressora e talvez necessária – será rompida sob a égide do nosso silêncio, mais uma vez. Só direi um sorriso quando você me olhar com aqueles olhos de escorrer tensão. Tensão alvissareira e imperativa. Tentando ocultar a ânsia das pupilas dilatadas, enquanto faz registro da nudez dos meus olhos e da rubra sugestão dos lacinhos que me vestem. Você, vestido de lunetas. Abrindo los ojos. Remetendo-me para as lembranças que tem das fotografias. Enquanto eu apenas olharei de soslaio, unilateral: buscarei a temperatura que lhe dissolve desejos.

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