soneto das adoráveis pernas



Ah, quão são brancas as pernas de minha vizinha!
Passam ruidosas a calcar seus pezinhos sepulcrais
E a mover minimamente os fertéis tornozelos
Os quais beijaria até lhes causar feridas.

Se lhe pudesse escrever uns versos, bem-aventuradas pernas:
Sim, a estas que merecem certidão de nascimento e crematório,
Escrevê-los-ia com maior diligência que
Camões o fez ao colorido corpo português.

Tende dó de nós homens pardos, pernas brancas
Tende dó de nós homens fartos, líricas pernas
Nós, seres hirtos à tua existência

Pedimos, enfim, a clemência, o porvir
Das amarelas, azuis, brancas pernas imberbes
Que hei de amiúde macular e adorar.

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