sobre uma tela de rothko e outro poema

(a partir de um retrato da moça)

os caminhos já conhecidos são feitos de calma
…..e uma leve paixão
por tudo o que ainda permanece:
em teu corpo eu vejo desejo, há essa fala de multidão
…………permeando tudo –
………………………………………eu te observo da janela,
…………………………de onde a cama está impregnada
……………………………….de possibilidade,
cheiro e prazer, suor:
…………………………meu corpo descansa ao teu
(mas uma canção nos desenha num entorno de samurais
………………em pleno reconhecimento –

não estaremos a salvo até a manhã)


sobre uma tela de rothko
…. (ao som de algum Tomasz Stanko)

assim que o corpo penetra o silêncio
logo atrás da porta
há todo o instante
indesculpável e verdadeiro
absurdamente real
a sequência dos fatos, a saber:
a silhueta que se move no escuro
rastando entre saliva e suor
não diz mais que a presença
interminável
de exatidão e poder:
sabedoria e música ancestral,
geme a aliança –
para apenas ser não é preciso muito:
basta –

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