entrego a leitura, prisioneiros


quero ver
tenho que ver
a folha a gota
pele morena dentes brancos
sorriso de peixes molhados de suor do Sol
amarelo
o lobo o uivo as asas correntes
pés semente
árvore a mente
impaciência da faca que rasga
minha mão apertada
tremo
escorrega a terra gelada do vento
abrem os buracos rochas fumaça fogo suspiro
último suspiro
minha boca se queima com meus olhos abertos
sua saia, suas pernas meus olhos
essa cara ingênua
almofadas sufocantes armas mortais do sono
o palito gigante no sonho
o cigarro morrendo deitado
sou eu o culpado
enjaulado na caverna mais que escura
de portas abertas
escancaradas estou preso
corro saio grito
abro meus braços contra a imensidão
estou preso
foge a linha azul do céu

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