das palavras

02 poemas


Momentos nobres me esperam
a ânsia da estréia
o peso do que até aqui raciocinei
fadigado, encurralado
não há muitos caminhos
apenas esse de cascalho
submergido pelo sol
somente árvores que purificam
prazer lúdico aos calos
que fazem flutuar
na brisa fresca que cruza sem cumprimentos
só empurra sem qualquer educação
arrastando calcanhares
contento-me ofegoso
ao ouvir de longe as canções naturais
invocadoras de palavras
simplesmente PARE!
braços que alcançam o céu
num voar censurado
apreciando a indigência
do chão palpável, estável, despertador
já não tão real


Além disso,
não saíram atiradas todas as palavras!
condutora maldita, sedutora de mentes,
buraco perdido, longe
muito além do seu fim
nada disso cabe-se a ela
se atire onde está tua liberdade
mau cheirosa, estuprada
continue se alimentando
de estrume, ração e restos
não acabe com nada disso

Logo,
estará acabado, lapidado
com cheiro úmido de terra podre.

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