de uns passos líquidos

02 poemas



Equilibre

Escutando jazz (e o agradável ruído da agulha sobre o vinil) na varanda, penso em um chá, um filme para ser assistido depois e nas miudezas da vida cotidiana.

Numa corrente paralela: oscilações harmônicas em função do tempo. Também improvisações perfeitas. Meus desejos, agora, bem cuidados, não violentos e muito menos apoteóticos. A Vontade tranquila e inocentada por aquelas ilusões que já escoaram rio claro adentro. Águas vertentes. Nuvens passando sobre as palavras feitas de vento. A luz do Sol bem no meio, produzindo sombras do meu tamanho – jamais maiores do que eu. E estrelas nos pés.


Em linha torta

Fim de areia dourada – tarde. Morna água, verde água, azul água.

No tempo, distância, uma boa música latina, colorida, pausa: levando por tuas esquinas notas amareladas que descascam vagarosamente. Trazendo confortáveis palavras por ruas de margaridas com perfumes contaminados. Experimentando a calçada como quem experimenta o melhor dos poemas, a pureza dialogando com a intensidade que existe em ambos – não basta um olhar para compreender; mesmo depois, agora. O dia prometendo um ano novo, ainda que simplesmente:

o mar como o que segue adiante.

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